{"id":4614,"date":"2021-05-30T23:24:28","date_gmt":"2021-05-31T05:24:28","guid":{"rendered":"http:\/\/latinamericanliteraturetoday.wp\/2021\/05\/notes-margins-view-black-authorship-literature-rio-grande-do-sul-liliam-ramos\/"},"modified":"2024-11-03T18:51:24","modified_gmt":"2024-11-04T00:51:24","slug":"notes-margins-view-black-authorship-literature-rio-grande-do-sul-liliam-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/2021\/05\/notes-margins-view-black-authorship-literature-rio-grande-do-sul-liliam-ramos\/","title":{"rendered":"&#8220;Anota\u00e7\u00f5es \u00e0 margem: not\u00edcia sobre autoria negra na literatura ga\u00facha&#8221; de Liliam Ramos"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div class=\"caption\"><\/div>\n<p dir=\"ltr\">Nota del editor: Este texto se puede leer en portugu\u00e9s e ingl\u00e9s. Haz click en \u201cEnglish\u201d para leer en ingl\u00e9s.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A impress\u00e3o de que os ga\u00fachos \u2013 gentil\u00edcio de quem nasce no Rio Grande do Sul, caracterizado na figura do homem do campo \u2013 s\u00e3o brancos, introspectivos, consumidores de mate e de churrasco, indiv\u00edduos distantes emocionalmente por conta da imensid\u00e3o do pampa e frios como o clima do inverno, percorre as demais regi\u00f5es brasileiras, chegando alguns a destacarem nossas grandes semelhan\u00e7as com os pa\u00edses platinos e nosso afastamento do que se considera elementos de brasilidade: tr\u00f3picos, sol, calor, floresta amaz\u00f4nica, carnaval, gente na rua. A tradi\u00e7\u00e3o normatizada a partir de 1948, com a organiza\u00e7\u00e3o do Movimento Tradicionalista Ga\u00facho (MTG), foi uma tentativa deliberada de afastamento de ind\u00edgenas e negros da forma\u00e7\u00e3o cultural do RS; a constru\u00e7\u00e3o do tradicionalismo ga\u00facho foi motivada por jovens estudantes, filhos de estancieiros da regi\u00e3o da campanha, que invocavam o resgate da vida rural transportada para a capital ga\u00facha Porto Alegre (uma jovem cidade que completar\u00e1 250 anos em 2022). Os elementos culturais advindos das tradi\u00e7\u00f5es africanas e ind\u00edgenas foram preteridos nessa \u201cinven\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha\u201d no estado em que, segundo pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), se encontra o maior n\u00famero de terreiros \u2013 espa\u00e7os de pr\u00e1ticas de tradi\u00e7\u00f5es africanas \u2013 do Brasil. Seguidores, principalmente, em duas orienta\u00e7\u00f5es: umbanda (religi\u00e3o brasileira com influ\u00eancias africanas, ind\u00edgenas e europeias) e batuque (vertente do candombl\u00e9, com algumas varia\u00e7\u00f5es), os negros ga\u00fachos contam com mais de 50 mil terreiros onde expressam suas cren\u00e7as e mant\u00e9m vivas as narrativas de for\u00e7a e resist\u00eancia de suas origens africanas. Por que, ent\u00e3o, ocultar a presen\u00e7a negra e celebrar a branquitude sulista?<\/p>\n<p>Negar a presen\u00e7a africana \u00e9 uma forma de mascarar a viol\u00eancia cometida contra os negros escravizados na regi\u00e3o. Na tradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha, o imigrante \u00e9 apresentado como protagonista do desenvolvimento atrav\u00e9s da m\u00e3o-de-obra livre e n\u00e3o escravizada: fam\u00edlias europeias, em sua grande maioria, hoje nomeiam grande parte das empresas multinacionais de tecnologia e produ\u00e7\u00e3o. No entanto, relatos comprovam a chegada dos primeiros africanos em 1717 para o trabalho nas charqueadas, propriedades rurais onde se produzia o charque, carne salgada exposta \u00e0 desidrata\u00e7\u00e3o, para exporta\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m da viol\u00eancia f\u00edsica das torturas, o clima tamb\u00e9m castigava os corpos negros: frio, umidade, intensificados no abate do gado, mal cheiro, presen\u00e7a de animais pe\u00e7onhentos, um lugar totalmente insalubre onde escravizados eram enviados para trabalhar at\u00e9 a morte. Outro fato caro \u00e0 mem\u00f3ria dos ga\u00fachos \u00e9 a Guerra dos Farrapos que resultou na declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia da Rep\u00fablica Rio-grandense. Com a promessa da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura caso o Rio Grande do Sul obtivesse a separa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Brasileiro, negros lutaram bravamente durante os dez anos de disputa que finalizou com a rendi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes sulistas diante da falta de recursos financeiros para prosseguir no conflito. No Massacre de Porongos, \u00faltimo combate, o batalh\u00e3o dos Lanceiros Negros lutou at\u00e9 a aniquila\u00e7\u00e3o total. Os negros sobreviventes voltaram a ser escravizados e, ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil em 1888, jogados \u00e0s margens do sistema sem absolutamente nenhum projeto pol\u00edtico de integra\u00e7\u00e3o das comunidades negras \u00e0 nova configura\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A literatura sul-rio-grandense, portanto, como reflexo do processo hist\u00f3rico da regi\u00e3o, apresenta em seus contextos narrativos os fatos mencionados: o povoamento atrav\u00e9s da imigra\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e italiana, as disputas por territ\u00f3rios com a banda castelhana, as negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que formaram o povo ga\u00facho s\u00e3o tem\u00e1ticas recorrentes. Um dos escritores mais conhecidos \u00e9 Erico Verissimo (1905 \u2013 1975) e sua obra <i>O tempo e o vento<\/i>, s\u00e9rie liter\u00e1ria dividida em <i>O Continente<\/i> (1949), <i>O Retrato<\/i> (1951) e <i>O Arquip\u00e9lago<\/i> (1961) que narra a saga familiar dos Terra-Cambar\u00e1 desde a ocupa\u00e7\u00e3o do Continente de S\u00e3o Pedro (primeiro nome dado ao estado) at\u00e9 o ano de 1945. Da mesma forma, a literatura de autoria negra tamb\u00e9m ir\u00e1 abordar essas tem\u00e1ticas, por\u00e9m, destacando a figura do negro na forma\u00e7\u00e3o cultural da regi\u00e3o e trazendo para o debate o apagamento dos elementos afro na conforma\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha, escancarando o racismo vigente atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es que objetivaram silenciar as vozes negras que colocavam o dedo na ferida do honrado homem (branco) do campo, merecedor de todas as gl\u00f3rias por conta de seu trabalho incans\u00e1vel. Na inten\u00e7\u00e3o de apresentar algumas vozes negras de express\u00e3o, fa\u00e7o o recorte de quatro escritores negros do e no Rio Grande do Sul: os precursores Maria Helena Vargas da Silveira e Oliveira Silveira e os contempor\u00e2neos Paulo Scott e Jeferson Ten\u00f3rio.<\/p>\n<p>As escritas afro-ga\u00fachas est\u00e3o inspiradas na ancestralidade, naqueles que vieram antes; nesse sentido, destaco Maria Helena Vargas da Silveira (1940-2009) e Oliveira Silveira (1941 \u2013 2009). A trajet\u00f3ria dos precursores \u00e9 bastante parecida: nasceram em cidades do interior do RS (onde a crueldade do racismo pode ser mais intensa), migraram para a capital Porto Alegre, foram estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participaram de movimentos negros, publicaram por editoras independentes, s\u00e3o conhecidos e exaltados por sua luta antirracista al\u00e9m de terem sido professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Helena do Sul, como passa a ser conhecida a partir de 2005 quando ocupa cargo p\u00fablico na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Diversidade e Inclus\u00e3o (Secadi) do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares em Bras\u00edlia, capital do pa\u00eds, foi uma das precursoras da lei de a\u00e7\u00f5es afirmativas que objetiva a cria\u00e7\u00e3o de cotas para ingresso de pessoas negras em concursos p\u00fablicos. Nascida em Pelotas, cidade cujo crescimento econ\u00f4mico se deu por conta das charqueadas, foi escritora, educadora e pedagoga. Publicou 11 livros que transitam pelos g\u00eaneros liter\u00e1rios romance, poesia, contos, cr\u00f4nicas e textos sat\u00edricos, entre eles, o romance <i>\u00c9 Fogo <\/i>(1987), <i>Meu nome pessoa. Tr\u00eas momentos de poesia<\/i> (1989) e os contos de <i>Odara. Fantasia e realidade<\/i> (1993) onde registra de forma ir\u00f4nica (uma marca em sua escrita), no texto ficcional, as experi\u00eancias de mulheres negras, recompondo, dessa forma, a mem\u00f3ria coletiva atrav\u00e9s das narrativas de negritudes por elementos e segmentos de mem\u00f3rias ancestrais, de tradi\u00e7\u00f5es e cultura afro-brasileiras do passado hist\u00f3rico. O carnaval e os desfiles das escolas de samba da cidade de Pelotas tamb\u00e9m s\u00e3o tem\u00e1ticas recorrentes em seus registros. No conto \u201cDespatrim\u00f4nio\u201d, do livro <i>Odara<\/i>, a imagem de abertura ironiza os fatos hist\u00f3ricos brasileiros que enalteceram as figuras de her\u00f3is brancos e invisibilizam os demais part\u00edcipes da constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"margin-left: 40px;\">A sala \u00e9 secular. Uma sala social de nobres marginais, oprimindo marginalizados nobres. L\u00fagubre, infestada de mofo, acolhe nefasta arte. Nas paredes, quadros funestos respiram a poeira de pretensa eternidade de ran\u00e7o cultural.<\/p>\n<p style=\"margin-left: 40px;\">Na escurid\u00e3o do t\u00e9trico ambiente, os espelhos sem brilho, com nuances espectrais maquiadas de suor, l\u00e1grimas e sangue. S\u00e3o ia\u00f4s prisioneiros, negros imobilizados na moldura deprimente de horrendo quadro chamado Hist\u00f3ria. No alto, a coroa; no ch\u00e3o, os pelourinhos, esbo\u00e7os desumanos, ensaios sem vida.<\/p>\n<p style=\"margin-left: 40px;\">A sala \u00e9 secular. Acolhe nefasta arte. (Silveira, 1993, p.8)<\/p>\n<p>O poeta Oliveira Silveira, de Ros\u00e1rio do Sul, cidade distante 500 km de Porto Alegre, localizada no cora\u00e7\u00e3o do pampa ga\u00facho, pr\u00f3xima \u00e0 fronteira com o Uruguai, estabeleceu-se como cidad\u00e3o porto-alegrense quando foi estudar o Ensino M\u00e9dio e, logo, o curso de portugu\u00eas-franc\u00eas no Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi um dos fundadores do Grupo Palmares, aliado ao Movimento Negro Unificado na capital do RS, e idealizador do dia 20 de novembro como celebra\u00e7\u00e3o do Dia da Consci\u00eancia Negra, referenciando a morte do grande l\u00edder quilombola brasileiro Zumbi dos Palmares. Sua incurs\u00e3o pela universidade o fez dialogar com poetas de outras longitudes: o potente <i>Roteiro dos Tant\u00e3s<\/i> (1981), cujo t\u00edtulo faz alus\u00e3o ao som concernente ao tambor, ponto em comum como elemento cultural em pa\u00edses que receberam comunidades negras, faz esse percurso pela literatura, hist\u00f3ria, geografia e cultura americana. O poema <i>Haiti<\/i> traz uma ep\u00edgrafe de Aim\u00e9 C\u00e9saire (1913-2008) do visceral <i>Cahier d\u2019un retour au pays natal<\/i> (1939) na qual relata que foi nessa col\u00f4nia que, pela primeira vez, a negritude se levantou e se acreditou enquanto humanidade. No poema <i>Em Cuba<\/i>, dialoga intertextualmente com Nicol\u00e1s Guill\u00e9n: \u201cEm Cuba\/um afro cora\u00e7\u00e3o\/nos versos de Guill\u00e9n; tant\u00e3 latejando a Am\u00e9rica\u201d. O \u00faltimo verso exemplifica o sentimento de americanidade do poeta que, identificando-se com o cubano, um dos poucos escritores negros referenciados em manuais de literatura hispano-americana em circula\u00e7\u00e3o pelo Brasil, que tamb\u00e9m trouxe a oralidade na composi\u00e7\u00e3o de seus poemas: o tant\u00e3 lateja, bate, cria mem\u00f3ria, permite o prosseguimento das tradi\u00e7\u00f5es culturais de matriz africana e reafirma as origens que os brancos tentaram fazer com que fossem esquecidas. Em <i>Platinos<\/i>, as palavras milonga, tango e malambo (ritmos musicais muito comuns no sul) fazem o eu l\u00edrico se aproximar dos irm\u00e3os do outro lado da fronteira, com quem compartilha o frio branco, seja no clima, seja nas rela\u00e7\u00f5es com pessoas brancas: \u201cMilonga, tango, malambo\/familiares\/essas palavras\/quentes\/me agasalham\u201d. Tamb\u00e9m publicou os livros de poemas <i>Banzo, saudade negra<\/i> (1969), <i>D\u00e9cima do negro pe\u00e3o<\/i> (1974), <i>Anota\u00e7\u00f5es \u00e0 margem<\/i> (1994) entre outros tantos que retomam as origens africanas e criticam o tratamento dado aos negros na regi\u00e3o sul, evidenciado no poema Obrigado, minha terra, publicado em <i>P\u00ealo escuro \u2013 poemas afro-ga\u00fachos<\/i> (1977): \u201cObrigado charqueada\/por minhas feridas salgadas (&#8230;) Obrigado pelo preconceito\/com que at\u00e9 hoje me aceitas\/Muito obrigado pela cor do emprego\/que n\u00e3o me d\u00e1s porque sou negro (&#8230;) Agrade\u00e7o de todo cora\u00e7\u00e3o\/e sem nenhum perd\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Na atualidade, dois escritores que utilizam Porto Alegre como espa\u00e7o em seus romances recentemente contam com publica\u00e7\u00e3o por editoras de grande circula\u00e7\u00e3o: Paulo Scott (<i>Marrom e Amarelo<\/i>, Alfaguara, 2019) e Jeferson Ten\u00f3rio (<i>O avesso da pele<\/i>, Companhia das Letras, 2020, j\u00e1 em processo de tradu\u00e7\u00e3o para o franc\u00eas e o italiano e com publica\u00e7\u00e3o em Portugal). O primeiro aborda a quest\u00e3o do colorismo, de quem \u00e9 ou n\u00e3o considerado negro\/a e suas frustra\u00e7\u00f5es e privil\u00e9gios em um pa\u00eds mesti\u00e7o e ainda em uma regi\u00e3o de grande imigra\u00e7\u00e3o europeia, debatendo as contradi\u00e7\u00f5es da l\u00f3gica bin\u00e1ria pois, dependendo do lugar em que se est\u00e1, a cor da pele ser\u00e1 determinante. Essa tem\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 abordada no texto de Ten\u00f3rio em que o narrador, em segunda pessoa, relata a vida do pai professor e as diversas abordagens policiais que sofrera apenas por ser um homem negro. No caso de Ten\u00f3rio, que nasceu no Rio de Janeiro e adotou Porto Alegre como sua cidade, em seus romances anteriores <i>O beijo na parede<\/i> (2013) e <i>Estela sem Deus<\/i> (2018), atrav\u00e9s da narra\u00e7\u00e3o de protagonistas adolescentes, aborda o abandono pela fam\u00edlia e pelo Estado que acaba jogando as crian\u00e7as negras para a vida nas ruas, sem controle, sem orienta\u00e7\u00e3o, buscando um sentido em suas vidas, amparadas em livros de literatura encontrados \u201cao acaso\u201d. As personagens de Tenorio s\u00e3o <i>flaneurs<\/i> negros que circulam pela cidade, mas, ao contr\u00e1rio dos cl\u00e1ssicos (Leopold Bloom em <i>Ulisses<\/i>, de James Joyce ou Horacio Oliveira em <i>Rayuela<\/i>, de Cort\u00e1zar, por exemplo) n\u00e3o podem estar despreocupados, pelo contr\u00e1rio: a aten\u00e7\u00e3o de uma pessoa negra, ao andar pela rua, deve estar redobrada, pois s\u00e3o v\u00e1rios os fatores de risco para essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que grande parte de escritores negros que escrevem a partir do sul se dedica \u00e0 poesia: Ronald Augusto, Eliane Marques, Lilian Rocha, Ana dos Santos, Duan Kissonde, Marlon Ramos, Richard Serraria, Fernanda Bastos, o coletivo Sopapo Po\u00e9tico, entre tantos outros e outras que, infelizmente, n\u00e3o temos espa\u00e7o para citar, trazem ancestralidade, mem\u00f3ria, reflex\u00e3o social atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o ativa dos negros na constru\u00e7\u00e3o cultural do Rio Grande do Sul. Tomo de empr\u00e9stimo de Oliveira Silveira o t\u00edtulo e o subt\u00edtulo desse ensaio: \u201cAnota\u00e7\u00f5es \u00e0 margem\u201d, como j\u00e1 referenciado, \u00e9 o t\u00edtulo de um de seus livros de poemas, e o subt\u00edtulo, artigo publicado na Revista Ponto e V\u00edrgula em 1995, na inten\u00e7\u00e3o de fazer a hist\u00f3ria e a literatura afro-ga\u00facha transcenderem o espa\u00e7o marginal e serem lidas para al\u00e9m das fronteiras regionais, situando as comunidades negras e seus elementos culturais como componentes efetivos da cidadania sul-rio-grandense.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A impress\u00e3o de que os ga\u00fachos \u2013 gentil\u00edcio de quem nasce no Rio Grande do Sul, caracterizado na figura do homem do campo \u2013 s\u00e3o brancos, introspectivos, consumidores de mate e de churrasco, indiv\u00edduos distantes emocionalmente por conta da imensid\u00e3o do pampa e frios como o clima do inverno, percorre as demais regi\u00f5es brasileiras, chegando alguns a destacarem nossas grandes semelhan\u00e7as com os pa\u00edses platinos e nosso afastamento do que se considera elementos de brasilidade: tr\u00f3picos, sol, calor, floresta amaz\u00f4nica, carnaval, gente na rua.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4611,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2995,4446],"genre":[2024],"pretext":[],"section":[2392],"translator":[],"lal_author":[3367],"class_list":["post-4614","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-brazil-es","tag-numero-18","genre-brazilian-literature-es","section-brazilian-literature-es","lal_author-liliam-ramos-es"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4614"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37432,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4614\/revisions\/37432"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4614"},{"taxonomy":"genre","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/genre?post=4614"},{"taxonomy":"pretext","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/pretext?post=4614"},{"taxonomy":"section","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/section?post=4614"},{"taxonomy":"translator","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/translator?post=4614"},{"taxonomy":"lal_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/lal_author?post=4614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}