{"id":41700,"date":"2025-09-11T11:12:38","date_gmt":"2025-09-11T17:12:38","guid":{"rendered":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/?p=41700"},"modified":"2025-09-29T08:56:40","modified_gmt":"2025-09-29T14:56:40","slug":"belo-horizonte-fim-de-marco-de-2020-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/2025\/09\/belo-horizonte-fim-de-marco-de-2020-fim-do-mundo\/","title":{"rendered":"Belo Horizonte, fim de mar\u00e7o de 2020, fim do mundo?"},"content":{"rendered":"<p><b><i>Nota del editor:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Publicamos este texto en el portugu\u00e9s original y en traducci\u00f3n al ingl\u00e9s. Despl\u00e1zate hacia abajo para leer en portugu\u00e9s, y haz click en \u201cEnglish\u201d para leer en ingl\u00e9s.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Querida Ros\u00e2ngela,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estou h\u00e1 duas semanas dentro de casa. Se sa\u00ed \u00e0 rua duas ou tr\u00eas vezes, foi muito. E em todas elas para fazer o que ningu\u00e9m mais aqui em casa faz: padaria, supermercado, farm\u00e1cia. O que mais me tem impressionado \u00e9 o medo que sinto das pessoas. Eu jamais havia sentido isso assim. J\u00e1 tive medo das pessoas de outras formas. Tive medo da viol\u00eancia do meu pai, da viol\u00eancia de um assalto, da viol\u00eancia de um marido, medo de falar, medo da dor f\u00edsica e da dor moral, medo do julgamento alheio por isto ou aquilo, medo de uma banca de concurso, medo do que iriam me dizer sobre meu desempenho, medo de um chefe grosseiro, mas nunca tive medo das pessoas e de sua pele, de suas m\u00e3os, de seus espirros, de sua aproxima\u00e7\u00e3o, de quando me entregam um cesto com leite, um pacote de p\u00e3o, uma flor, uns livros, umas chaves, uma maquininha de d\u00e9bito. Tenho sentido isso sempre e com tanto pesar&#8230; que tenho medo de nunca mais me livrar desta sensa\u00e7\u00e3o. Medo de que este v\u00edrus se transforme em um fantasma que acompanha as pessoas em suas vidas, daqui para frente. Isso me tem angustiado e provocado uma esp\u00e9cie de vontade de nunca mais sair.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fico pensando na dor desses enfermos de doen\u00e7as muito contagiosas, doentes que tinham de ser isolados do conv\u00edvio, que eram internados para morrer, que n\u00e3o podiam ver ningu\u00e9m. Doentes dessas doen\u00e7as que unem dor e solid\u00e3o, al\u00e9m de preconceito. Doentes que ningu\u00e9m quer tocar, ver, se aproximar. Fui fazer uma pergunta a uma atendente e ela dava passos para tr\u00e1s. Fui atender ao carteiro no port\u00e3o, hesitei para pegar a caneta que ele me estendia com uma m\u00e3o envolta em luvas; depois de assinar a entrega, cheguei a sentir minhas m\u00e3os arderem, embora n\u00e3o fosse isso; fui comprar arroz, tomates, num mercadinho de corredores razo\u00e1veis, e todos and\u00e1vamos uns entre os outros como \u00edm\u00e3s de mesma polaridade, como uma dan\u00e7a de se desviar, como um jogo de cercas invis\u00edveis. Um passo meu adiante, um passo do outro atr\u00e1s. E se algu\u00e9m ali espirrasse, tive medo de linchamento. Coisas em que nunca pensei.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 outro ponto, minha amiga: n\u00e3o gosto de sair de casa. H\u00e1 anos sofro com a necessidade de sair para o trabalho, para viagens (que tamb\u00e9m eram trabalho, antes de a ci\u00eancia ficar quase impedida no pa\u00eds e bem antes do v\u00edrus), para festas, para qualquer coisa. Uso uma agenda resumida em que marco as atividades em quadradinhos, todos muito escritos e rabiscados. Risco os dias que passam como os detentos de filmes. Gosto dos dias que passam, como se eu fosse chegar a algum tempo melhor, n\u00e3o sei. Nada me indica isso, mas eu espero, talvez. E nesses quadradinhos escrevo meus compromissos com siglas, em letra mi\u00fada, com abreviaturas. Marco os que consegui cumprir, sem mais delongas. Mas os dias em branco, esses em que n\u00e3o h\u00e1 compromissos, esses que me parecem meus, s\u00e3o os meus queridos. Protejo-os como uma leoa amea\u00e7ada e nem sempre sou bem-sucedida. Protejo-os de um bombardeio, de uma enxurrada, de um ataque. Sempre me incomoda a maneira como disp\u00f5em, os outros, do meu tempo. Sempre. E h\u00e1 anos venho tentando me mover nessa agenda como num jogo de xadrez que n\u00e3o sei jogar ou que sempre perco. E, al\u00e9m disso, vou olhando os meses adiante e pensando nos dias em branco, que, na verdade, s\u00e3o aqueles que me deixam me ocupar de mim, de minhas coisas, dos meus gostos, do meu sono, dos meus livros, da minha escrita. Voc\u00ea me entende? E consegue escrever neste confinamento? Se temos dias em casa, por que escrever ficou um pouco dif\u00edcil? Voc\u00ea tem sentido o medo e a tens\u00e3o do problema avassalarem sua casa e sua alma? Tem sentido que est\u00e1 no mundo, mesmo que quisesse estar num livro ainda por escrever? Tem sentido que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade tem muito a ver com seus planos e versos? Tem sentido que a humanidade \u00e9 mesmo uma s\u00f3, ainda que me custe acreditar que alguns da minha esp\u00e9cie s\u00e3o mesmo humanos? Tem sentido nojo de certos pol\u00edticos e empres\u00e1rios, mais do que o normal? Tem desejado que o v\u00edrus seja inteligente na sele\u00e7\u00e3o de quem ir\u00e1 infectar, embora voc\u00ea saiba que \u00e9 apenas um del\u00edrio de terror?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por estes dias de confinamento, n\u00e3o senti essa dificuldade dos que gostam da rua, dos mais soci\u00e1veis, dos mais jovens, dos que procuram o bar ou a festa. N\u00e3o me sinto especialmente presa. Mas algo me desconcentra e incomoda muito, de maneira muito diferente de quando posso simplesmente querer minha casa. E \u00e9 o medo. O medo de sair, se eu quiser ou precisar; o medo das pessoas que v\u00eam com entregas; o medo de algo que n\u00e3o vejo e nem sei se j\u00e1 se aproxima; e a liberdade prec\u00e1ria dos que est\u00e3o premidos pelo Estado. \u00c9 diferente, minha amiga, poder e n\u00e3o poder.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tenho ouvido falar de Bras\u00edlia. As not\u00edcias da\u00ed vinham por alguns motivos, agora v\u00eam por outros. A doen\u00e7a est\u00e1 a\u00ed, como est\u00e1 aqui. E fico assistindo \u00e0 TV e notando uma mudan\u00e7a das caras dos personagens. Alguns come\u00e7am a aparecer mais, com seus vocabul\u00e1rios de outras \u00e1reas, as coisas que normalmente n\u00e3o ouvimos. E sumiram alguns assuntos e emergiram outros, e um outro assunto ocupa quase tudo. Nem consigo ficar muito tempo diante da tela porque o medo de uma transmiss\u00e3o televisiva passa a fazer parte da minha imagina\u00e7\u00e3o. Imagine a\u00ed um v\u00edrus digital, um v\u00edrus transmiss\u00edvel entre pessoas que se v\u00eam por meio de telas, um v\u00edrus que exterminasse esta humanidade como a conhecemos. Talvez este de agora j\u00e1 tenha feito isso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ouvi e li proje\u00e7\u00f5es otimistas sobre o que vamos aprender depois desta situa\u00e7\u00e3o estranha. N\u00e3o consegui ficar otimista, nem mesmo com os argumentos articulados dos honor\u00e1veis analistas e comentaristas. N\u00e3o sei se podemos aprender algo de bom. J\u00e1 fomos piores? Ou isto \u00e9 a arrog\u00e2ncia de sempre? Li um texto de um especialista, desses com Ph.D n\u00e3o sei onde, bolsista do CNPq, etc., em que ele apontava as coisas que esta pandemia mostra ou deveria mostrar a n\u00f3s, \u00e0 humanidade; em como estamos entrela\u00e7ados, os que t\u00eam e os que n\u00e3o; em como o bem comum est\u00e1 acima do que pensamos ser individual. Foi bonito ler. Foi lindo. Talvez eu tenha investido ali uns dez minutos, numa esp\u00e9cie de o\u00e1sis. Abaixo do texto, no entanto, os coment\u00e1rios de mais de cinco dezenas de pessoas imperdo\u00e1veis. Em sua maioria, pessoas que destilam \u00f3dio, idiotia, viol\u00eancia, desprezo pelas outras, etc. etc. essas coisas que conhecemos bem. S\u00e3o doentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da\u00ed meu medo. Medo cont\u00ednuo, mesmo confinada, na seguran\u00e7a do meu lar \u2013 que tem sab\u00e3o e \u00e1gua, comida, pessoas amadas e am\u00e1veis, banho e aconchego. Medo do que j\u00e1 \u00e9ramos, que me desanimou tanto do conv\u00edvio geral; medo do que somos e do que estamos fazendo; medo do que voltaremos a ser. Em especial quando ou\u00e7o \u00e1udios de empres\u00e1rios detest\u00e1veis, mais desprez\u00edveis do que os outros seres que eles desprezam (seus funcion\u00e1rios? Seus servi\u00e7ais?), tenho pequenos surtos de vontade de apagar o mundo, sem sofrimento, com uma tecla, ctrl+z, desfazer, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 apagar, \u00e9 desfazer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pessimista? N\u00e3o quero que minha carta lhe chegue carreando amargor. \u00c9 uma confiss\u00e3o, mais que uma transmiss\u00e3o. Hoje, enviei mensagens a algumas pessoas muito queridas. Mensagens de \u00e1udio e de texto, pessoas que realmente me preocupam, pessoas que eu gostaria de ajudar ou apenas de saber como est\u00e3o: dois parentes com quem sinto mais sintonia ou algum tra\u00e7o de certa irmandade; uma amiga no exterior que tenta retornar, muito assustada, claro; um amigo positivo para HIV. Senti em todos eles certa tristeza. Dos que me retornaram \u00e1udios, pude ouvir suas vozes meio arrastadas, melanc\u00f3licas, como que a duvidar que um dia voltemos aos nossos abra\u00e7os normais. Voc\u00ea sente falta de abra\u00e7os, Ros\u00e2ngela?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cresci em um n\u00facleo familiar de poucas demonstra\u00e7\u00f5es de afeto desse tipo. Cresci sem muitos toques. At\u00e9 hoje, nos abra\u00e7amos timidamente, meio de lado, sem olhos fixos. Aprendi a abra\u00e7ar na escola, quando as amizades tinham jeito de parentescos seletivos. De fato, alguns desses amigos daqueles tempos est\u00e3o em minha vida at\u00e9 hoje (foi para um deles que mandei mensagens agora, por exemplo). Mas abra\u00e7ar e dar beijos sempre me demandou certo esfor\u00e7o. Medo? Mas depois que aprendi, \u00e9 dif\u00edcil desfazer. Tenho usado os p\u00e9s e os cotovelos at\u00e9 para cumprimentar meu filho! Que \u00e9 o \u00fanico ser nesta Terra cuja pele e cujos fluidos sempre me pareceram meus, que nunca me custou abra\u00e7ar, que me faz sentir a dor deste distanciamento in\u00e9dito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fomos interditados por uma doen\u00e7a, Ros\u00e2ngela? Voc\u00ea conversa com plantas? Animais de estima\u00e7\u00e3o? Encontra amigos e amigas por videoconfer\u00eancia? Sente que os dias futuros de sua agenda est\u00e3o se apagando, esgar\u00e7ando, emba\u00e7ando? J\u00e1 passou por algo assim? E ainda teve de lidar com a imbecilidade humana nos vizinhos individualistas, nos conhecidos financistas e na amea\u00e7a dos que nos impregnam com ignor\u00e2ncia e v\u00edrus, ao mesmo tempo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conte-me de voc\u00ea, querida amiga; de Bras\u00edlia; de algum romance dist\u00f3pico que lhe venha ocupando a mente \u2013 seu ou alheio; de seu sono nestes dias de estranheza; de seus desejos para depois desta pandemia; de suas esperan\u00e7as, melhores que as minhas; de suas provid\u00eancias para depois que a natureza nos puser no devido lugar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sauda\u00e7\u00f5es com os cotovelos, numa carta ass\u00e9ptica<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ana Elisa Ribeiro<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nota: Ros\u00e2ngela \u00e9 uma escritora de BH e a cr\u00f4nica foi encomendada pela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Revista Pessoa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, quando a autora era colunista l\u00e1, e tamb\u00e9m foi publicada no livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nossa L\u00edngua &amp; Outras encrencas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, da Par\u00e1bola Editorial em 2023.<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Nick Hillier, Unsplash.<\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota del editor: Publicamos este texto en el portugu\u00e9s original y en traducci\u00f3n al ingl\u00e9s. Despl\u00e1zate hacia abajo para leer en portugu\u00e9s, y haz click en \u201cEnglish\u201d para leer en ingl\u00e9s. Querida Ros\u00e2ngela, Estou h\u00e1 duas semanas dentro de casa. Se sa\u00ed \u00e0 rua duas ou tr\u00eas vezes, foi muito. E em todas elas para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":41616,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2886],"tags":[5517],"genre":[],"pretext":[],"section":[],"translator":[],"lal_author":[3074],"class_list":["post-41700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura-brasilena","tag-numero-35","lal_author-ana-elisa-ribeiro-es-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41700"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42326,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41700\/revisions\/42326"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41700"},{"taxonomy":"genre","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/genre?post=41700"},{"taxonomy":"pretext","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/pretext?post=41700"},{"taxonomy":"section","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/section?post=41700"},{"taxonomy":"translator","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/translator?post=41700"},{"taxonomy":"lal_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/lal_author?post=41700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}