{"id":4134,"date":"2020-11-11T18:33:19","date_gmt":"2020-11-12T00:33:19","guid":{"rendered":"http:\/\/latinamericanliteraturetoday.wp\/2020\/11\/black-bean-stew-luiz-vilela\/"},"modified":"2023-06-02T13:32:08","modified_gmt":"2023-06-02T19:32:08","slug":"black-bean-stew-luiz-vilela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/2020\/11\/black-bean-stew-luiz-vilela\/","title":{"rendered":"&#8220;A feijoada&#8221; de Luiz Vilela"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div class=\"caption\"><\/div>\n<p>Nota del editor: Este texto est\u00e1 publicado en portugu\u00e9s e ingl\u00e9s. Haz clic en &#8220;English&#8221; para leer en ingl\u00e9s.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O homem entrou e ficou parado, olhando: nem uma mesa vazia, o restaurante cheio. Sentiu-se chateado.<\/p>\n<p>Sabia que todo s\u00e1bado era assim e procurava chegar mais cedo, mas aquele dia houvera um contratempo, e ele se atrasara. Ia ficar sem a sua feijoada s\u00f3 por causa disso? N\u00e3o era justo, n\u00e3o podia ficar&#8230;<\/p>\n<p>Um gar\u00e7om veio:<\/p>\n<p>\u2013 Bom dia, Doutor.<\/p>\n<p>\u2013 Como \u00e9?&#8230; \u2013 ele disse, expressando nessas palavras tudo o que sentia.<\/p>\n<p>\u2013 A casa hoje est\u00e1 um pouco cheia \u2013 o gar\u00e7om disse, com evidente eufemismo. \u2013 Mas se o senhor n\u00e3o se importar de esperar um pouco, deve haver logo uma mesa vagando ali&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Ficar sem a minha feijoada \u00e9 que n\u00e3o posso \u2013\u00a0ele respondeu, categ\u00f3rico.<\/p>\n<p>Ficou ent\u00e3o esperando, pr\u00f3ximo \u00e0 porta, o corpo meio empinado para tr\u00e1s, a barriga saliente. Abriu o palet\u00f3: a gravata, colorida, sobre a camisa muito branca.<\/p>\n<p>A m\u00e3o esquerda segurando o cinto e a direita com um cigarro, ele olhava para a rua: j\u00e1 era meio-dia, e o sol estava intenso. Havia uma luminosidade quase excessiva nas coisas. Era pleno m\u00eas de dezembro. J\u00e1 fazia v\u00e1rios dias que n\u00e3o chovia e, segundo a meteorologia, ainda ia demorar a chover.<\/p>\n<p>Tornou a olhar para dentro, ansioso e impaciente. E ent\u00e3o se alegrou: pessoas se levantavam numa mesa l\u00e1 do fundo.<\/p>\n<p>Logo veio o gar\u00e7om:<\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 tem uma mesa.<\/p>\n<p>\u2013 \u00d3timo.<\/p>\n<p>O homem foi seguindo o gar\u00e7om e, no percurso at\u00e9 a mesa, inclinou algumas vezes a cabe\u00e7a, de modo formal e algo solene, cumprimentando algumas pessoas.<\/p>\n<p>Sentou-se, enfim: territ\u00f3rio apossado \u2013 e suspirou contente, estirando as pernas.<\/p>\n<p>\u2013 Que tal est\u00e1 a de hoje, Fernando?&#8230; \u2013 perguntou, com familiaridade, ao gar\u00e7om, que acabava de limpar a mesa.<\/p>\n<p>\u2013 Est\u00e1 muito boa, Doutor.<\/p>\n<p>\u2013 Est\u00e1 mesmo? \u2013\u00a0perguntou, mais por um h\u00e1bito de perguntar do que por d\u00favida.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om pendurou o pano no bra\u00e7o dobrado:<\/p>\n<p>\u2013 O senhor vai come\u00e7ar com o qu\u00ea? A de sempre?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9; mas me traz da boa, hem?<\/p>\n<p>\u2013 O senhor \u00e9 da casa, Doutor.<\/p>\n<p>O homem agradeceu com um sorriso.<\/p>\n<p>\u2013\u00a0E traz uma cervejinha tamb\u00e9m?<\/p>\n<p>\u2013 Tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u2013 Casco escuro.<\/p>\n<p>\u2013 Claro?<\/p>\n<p>\u2013 Claro?<\/p>\n<p>\u2013 Estou dizendo que claro que \u00e9 casco escuro.<\/p>\n<p>\u2013\u00a0Ah \u2013\u00a0o gar\u00e7om riu; \u2013 achei que era para trazer casco claro.<\/p>\n<p>\u2013\u00a0N\u00e3o \u2013 ele disse.<\/p>\n<p>\u2013\u00a0Eu estranhei \u2013\u00a0disse o gar\u00e7om; \u2013 o senhor sempre pede para trazer casco escuro.<\/p>\n<p>\u2013 Pois \u00e9 \u2013\u00a0disse ele.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om ent\u00e3o se foi.<\/p>\n<p>O homem descansou os bra\u00e7os sobre a mesa, encostou-se confortavelmente \u00e0 cadeira e olhou para todo o sal\u00e3o: sentia-se feliz, verdadeiramente feliz, e mais ainda se sentiu ao ver algumas pessoas rec\u00e9m-chegadas esperando l\u00e1 na poreta, como ele minutos antes esperava. Agora estava ali, tranquilo, sentado no meio daquele barulho de conversas e risadas, esperando sua deliciosa feijoada, aquela feijoada que ele vinha, religiosamente, todos os s\u00e1bados comer. N\u00e3o havia nada melhor.<\/p>\n<p>L\u00e1 vinham as bebidas.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om p\u00f4s na mesa o c\u00e1lice de pinga; a cerveja; o couvert. Abriu a garrafa de cerveja, guardando em seguida a tampinha no bolso do avental branco. Encheu o copo: a cerveja espumou.<\/p>\n<p>O homem provou a pinga.<\/p>\n<p>\u2013 Que tal? \u2013 perguntou o gar\u00e7om.<\/p>\n<p>\u2013 Divina.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a melhor que n\u00f3s temos aqui, no momento.<\/p>\n<p>\u2013 Excellent; de primeira.<\/p>\n<p>\u2013\u00a0Mais um minutinho s\u00f3, e vem a feijoada \u2013 disse o gar\u00e7om, tornando a ir-se.<\/p>\n<p>O homem comeu uma azeitona preta. Depois comeu uma lasquinha de rabanete. Passou manteiga num peda\u00e7o de p\u00e3o. Tomou ent\u00e3o um bom gole de cerveja: \u201cEh&#8230;\u201d, gemeu de prazer.<\/p>\n<p>Mais um pouco se passou, e ent\u00e3o viu o gar\u00e7om, lacaio real, transportando por entre as mesas a bandeja com a preciosa feijoada.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om se inclinou e p\u00f4s a bandeja no canto da mesa, come\u00e7ando ent\u00e3o a esvazi\u00e1-la.<\/p>\n<p>A feijoada fumegava, cheirosa, na tigela de cer\u00e2mica; o homem ficou com a boca cheia d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>\u2013 Ai, que perfume&#8230; \u2013 ele disse, torcendo as m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u2013 Mais uma cachacinha? \u2013 o gar\u00e7om perguntou, reparando no c\u00e1lice vazio.<\/p>\n<p>\u2013 Pode trazer, pode trazer mais uma cachacinha.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om se foi.<\/p>\n<p>O homem n\u00e3o avan\u00e7ou: conteve-se, um instante ainda, para conferir as coisas. \u201cVejamos\u201d, disse para si mesmo, como se estivesse l\u00e1 no escrit\u00f3rio, conferindo uma fatura: \u201carroz, couve, farinha, molho&#8230;\u201d Tudo ali.<\/p>\n<p>Mergulhou ent\u00e3o a colher na tigela, deu umas mexidinhas e serviu-se, com muita educa\u00e7\u00e3o. Depois, um pouco de cada outra coisa, em propor\u00e7\u00f5es iguais. Tomou um gole de cerveja, olhando vagamente ao redor. Pegou o garfo, ajeitou a comida e levou-a \u00e0 boca: \u201cHum&#8230; Que del\u00edcia&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Outra garfada. Mais um gole da cerveja: \u201cAh&#8230;\u201d Um pezinho: seus dentes e l\u00edngua limparam-no r\u00e1pido, ficando s\u00f3 o osso, roli\u00e7o; soltou-o no prato, um batido na lou\u00e7a. Molho ardido: pimenta malagueta, duas \u2013 por isso. A cervejinha apagando o inc\u00eandio, esfriando a garganta abaixo \u2013 que bom. Um arroto vinha subindo: \u201cOah&#8230;\u201d Sentiu-se aliviado; agora comeria outro tanto.<\/p>\n<p>Foi enchendo de novo o prato.<\/p>\n<p>Chegou o outro aperitivo:<\/p>\n<p>\u2013 Demorou um pouco \u2013 se desculpou o gar\u00e7om.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o tem problema: chegou na hora.<\/p>\n<p>\u2013 O senhor quer que d\u00ea uma esquentada na feijoada? Fica mais gostosa&#8230;<\/p>\n<p>O homem concordou; o gar\u00e7om p\u00f4s a tigela na bandeja.<\/p>\n<p>\u2013 Mais uma cerveja?&#8230;<\/p>\n<p>O homem olhou a garrafa: quase vazia.<\/p>\n<p>\u2013 Pode vir.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om se foi.<\/p>\n<p>O homem tomou um gole de pinga. Excelente&#8230;<\/p>\n<p>Sentia calor: tirou o palet\u00f3 e pendurou-o atr\u00e1s, na cadeira.<\/p>\n<p>Namorou o prato, p\u00f4s mais uma colherada de molho, e atacou. Assim prosseguiu, num ritmo cont\u00ednuo, s\u00f3 interrompendo para tomar novos goles da pinga.<\/p>\n<p>Ao acabar, limpou, com o resto da cerveja, o gosto na boca. Encostou-se ent\u00e3o \u00e0 cadeira e respirou fundo: sentia-se cheio, quase empanzinado. Comera demais. Se desse um arroto; um arrotozinho s\u00f3&#8230; E ent\u00e3o sentiu que ele vinha, ia chegando: \u201cOahhh&#8230;\u201d, arrotou com vontade.<\/p>\n<p>Depois ainda se ergueu um pouco na cadeira e \u2013 \u201cah&#8230;\u201d \u2013 acabou se se aliviar. Agora sim, sentia-se outro; sentia-se \u00f3timo. Mas n\u00e3o comeria mais. Ou comeria? Talvez mais um pouquinho; s\u00f3 mais um pouquinho&#8230;<\/p>\n<p>Olhou na dire\u00e7\u00e3o da cozinha, procurando o gar\u00e7om; teve dificuldade em ver as coisas, sua vista n\u00e3o se firmava. \u201cSer\u00e1 que eu j\u00e1 estou grogue?\u201d, perguntou-se, com uma repentina e esquisita vontade de rir. \u201c\u00c9, acho que eu estou mesmo grogue\u201d, concluiu, e ent\u00e3o come\u00e7ou a rir, sacudindo-se todo, como se aquilo fosse a coisa mais engra\u00e7ada do mundo.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om, vindo de outro lado, surgiu \u00e0 sua frente com a bandeja. Ele ainda ria, enxugando os olhos com o len\u00e7o, e o gar\u00e7om, vendo-o assim, riu tamb\u00e9m. P\u00f4s na mesa a feijoada e a nova garrafa de cerveja, recolhendo em seguida a garrafa vazia.<\/p>\n<p>O homem curvou-se sobre a tigela, como se fosse enfiar a cara ali dentro.<\/p>\n<p>\u2013 Ai, meu deus, esse cheiro&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Mais uma pinguinha?<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea quer me matar, Fernando \u2013 lamuriou o homem. \u2013 Eu vou me queixar para a pol\u00edcia que voc\u00ea est\u00e1 querendo me matar&#8230;<\/p>\n<p>O gar\u00e7om riu.<\/p>\n<p>\u2013 Que se pode fazer? Traz, traz quantas pingas houver \u2013 e deu uma gargalhada. \u2013\u00a0Eu vou me empanturrar, Fernando; eu vou em empanturrar!&#8230;<\/p>\n<p>O gar\u00e7om se afastou, rindo, conivente com um casal de jovens que, da mesa vizinha, observava o homem e tamb\u00e9m ria.<\/p>\n<p>\u2013 Ai ai \u2013 disse o homem, falando sozinho, \u2013 eu estou b\u00eabedo, completamente b\u00eabedo, n\u00e3o resta a menor d\u00favida&#8230;<\/p>\n<p>Pegou a colher para se servir \u2013 mas, em vez de servir-se, largou de repente a colher, ergueu-se meio aos trambolh\u00f5es e foi em dire\u00e7\u00e3o ao mict\u00f3rio.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7ava-se por se equilibrar e n\u00e3o esbarrar nas mesas \u2013 os olhos do casal de jovens e de outras pessoas seguindo-o, na expectativa de algum acidente: mas nada houve.<\/p>\n<p>Quando ele voltou, minutos depois, veio num passo mais firme, mas seu rosto tinha uma express\u00e3o de torpor e alheamento.<\/p>\n<p>Sentou-se e p\u00f4s no prato, de um modo muito pausado, a feijoada e os outros ingredientes. Tomou um gole de cerveja e recome\u00e7ou a comer.<\/p>\n<p>Comia devagar, demorando-se, enquanto mastigava a olhar para a mesa \u2013 como se estivesse num lugar muito calmo e silencioso. E quando o gar\u00e7om chegou com a nova pinga, ele apenas ergueu o rosto para dizer um obrigado, sem nada da efus\u00e3o de antes.<\/p>\n<p>\u2013 Mais alguma coisa? \u2013\u00a0o gar\u00e7om perguntou.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o \u2013 ele disse; \u2013 \u00e9 s\u00f3.<\/p>\n<p>L\u00e1 fora o sol quente entrava pela tarde, a rua j\u00e1 com pouco movimento, as pessoas recolhidas \u00e0s casas.<\/p>\n<p>Dentro do restaurante as mesas vazias e os gar\u00e7ons se movimentando r\u00e1pidos no sal\u00e3o, procedendo \u00e1 limpeza. S\u00f3 uma mesa ocupada, no fundo: l\u00e1 dela, o homem nem parecia acompanhar aquele trabalho, mas com um ar distra\u00eddo.<\/p>\n<p>Quando o viu virar a garrafa toda, seu gar\u00e7om foi at\u00e9 ele:<\/p>\n<p>\u2013 Mais uma, Doutor?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o \u2013 ele disse: \u2013 essa foi a \u00faltima.<\/p>\n<p>Estava com a cara amarrotada. O gar\u00e7om o observava.<\/p>\n<p>\u2013 O senhor est\u00e1 bem?<\/p>\n<p>\u2013 Na minha idade \u00e9 dif\u00edcil a gente estar bem \u2013 ele respondeu. \u2013 E&#8230; eu comi demais. Eu n\u00e3o devia ter comido tanto assim&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 O senhor toma um Sonrisal.<\/p>\n<p>\u2013 Isso n\u00e3o adianta.<\/p>\n<p>\u2013 Sonrisol \u00e9 muito bom \u2013\u00a0disse o Gar\u00e7om, com sincera \u00eanfase.<\/p>\n<p>\u2013 O problema n\u00e3o \u00e9 o est\u00f4mago \u2013 explicou o homem.<\/p>\n<p>Ergueu os olhos, desalentados, para o gar\u00e7om:<\/p>\n<p>\u2013 Alma \u2013 disse o homem.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om ficou olhando-o: gostava daquele homem, que era rico e importante, mas o tratava sempre com bondade, e teve pena de ele sentir-se assim. Queria fazer ou dizer algo que o melhorasse, mas n\u00e3o sabia o qu\u00ea. N\u00e3o era a primeira vez que acontecia de ele se queixar ao fim de uma feijoada; procurava ent\u00e3o dizer-lhe algo que o animasse, e isso \u00e0s vezes fazia efeito. Mas agora n\u00e3o via o que dizer. A coisa parecia ser mais profunda. O homem estava muito abatido.<\/p>\n<p>\u2013 Talvez seja o f\u00edgado \u2013 tentou ainda; \u2013 o senhor toma uma Xantinon B-12, ela faz efeito em pouco tempo. \u00c9 um \u00f3timo rem\u00e9dio.<\/p>\n<p>O homem mexeu a cabe\u00e7a, desconsolado:<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio para isso, meu filho.<\/p>\n<p>O gar\u00e7om ent\u00e3o se calou, n\u00e3o sabendo mais o que dizer.<\/p>\n<p>O homem olhou para as mesas vazias no sal\u00e3o e o sol quente l\u00e1 fora \u2013 e todo aquele s\u00e1bado que tinha pela frente, sem nada para fazer.<\/p>\n<p>\u2013 Sabe? \u2013 disse, erguendo novamente os olhos para o gar\u00e7om: \u2013 Eu me sinto miser\u00e1vel. \u00c9 assim que me sinto: miser\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">De\u00a0<em>A feijoada e outros contos<\/em><i>, <\/i>copyright \u00a9 2014 de Luiz Vilela<\/p>\n<h6>Fruta \u00e0 venda, Belo Horizonte, Brasil. Foto: <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@diegocatto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Catto, Unsplash<\/a>.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The man went in, stopped and looked around: not one free table, the whole restaurant was crammed. Extremely vexing. He knew what to expect on Saturdays and had tried to arrive earlier, but that day there had been a problem, he\u2019d been held up. Did that mean he would miss his black bean stew? That wasn\u2019t fair, he couldn\u2019t go without\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2995,4448],"genre":[2024],"pretext":[],"section":[2392],"translator":[2735],"lal_author":[3396],"class_list":["post-4134","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-brazil-es","tag-numero-16","genre-brazilian-literature-es","section-brazilian-literature-es","translator-paul-castro-es-2","lal_author-luiz-vilela-es"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4134\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4134"},{"taxonomy":"genre","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/genre?post=4134"},{"taxonomy":"pretext","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/pretext?post=4134"},{"taxonomy":"section","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/section?post=4134"},{"taxonomy":"translator","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/translator?post=4134"},{"taxonomy":"lal_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/lal_author?post=4134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}