{"id":25907,"date":"2023-06-10T01:02:43","date_gmt":"2023-06-10T07:02:43","guid":{"rendered":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/?p=25907"},"modified":"2024-05-17T05:31:13","modified_gmt":"2024-05-17T11:31:13","slug":"tiete-madre-del-rio-region-donde-el-rio-abunda-fecundando-la-tierra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/2023\/06\/tiete-madre-del-rio-region-donde-el-rio-abunda-fecundando-la-tierra\/","title":{"rendered":"Tiet\u00ea: Madre del r\u00edo, regi\u00f3n donde el r\u00edo abunda fecundando la tierra"},"content":{"rendered":"<p><b>Nota del editor: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Este texto se presenta en el portugu\u00e9s original y tambi\u00e9n en traducci\u00f3n al espa\u00f1ol y al ingl\u00e9s. Despl\u00e1zate hacia abajo para leer en espa\u00f1ol, y haz click en \u201cEnglish\u201d para leer en ingl\u00e9s.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tiet\u00ea: M\u00e3e do rio, regi\u00e3o onde o rio alaga fecundando a terra<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As aldeias ind\u00edgenas est\u00e3o sempre bem pr\u00f3ximas de rios, lagos ou igarap\u00e9s. Mas n\u00e3o s\u00e3o todos os grupos que se utilizam deles como seu principal fornecedor de mat\u00e9ria-prima ou da alimenta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de seu cotidiano. Os povos s\u00e3o diferentes entre si e constroem sua vis\u00e3o de mundo baseando-se em suas cren\u00e7as nas origens.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O povo Karaj\u00e1, que habita a regi\u00e3o do Tocantins, na ilha do Bananal, se considera sa\u00eddo de dentro do grande Araguaia. Eram tempos distantes quando seus ancestrais abandonaram o universo aqu\u00e1tico e passaram para o mundo de cima, terrestre, movidos pela curiosidade e pela busca de novos caminhos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que esse povo viva hoje em fun\u00e7\u00e3o do rio e suas casas sejam sempre constru\u00eddas voltadas para a nascente. S\u00e3o ex\u00edmios pescadores e canoeiros, e dos rios tiram a esperan\u00e7a e a cren\u00e7a no retorno de seu Criador. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que eles sejam t\u00e3o radicalmente contra a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas e hidrovias nos rios que banham suas aldeias! Sentem como se os engenheiros estivessem rasgando o cora\u00e7\u00e3o dos deuses criadores!\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 povos ind\u00edgenas que dividem sua vida em tempo de seca e tempo de enchente. \u00c9 o caso dos Pirah\u00e3 do Estado do Amazonas. Quando o tempo \u00e9 enchente eles se mudam para os lugares mais altos e vivem a alegria da fartura e da festa. Cantos e dan\u00e7as s\u00e3o ouvidos nos lugares mais distantes. Vibram com o esp\u00edrito da chuva que aproxima as ca\u00e7as dos ca\u00e7adores e o verde das \u00e1rvores. As beiras dos rios ficam inundadas, fazendo com que a vida reflores\u00e7a e muitos outros seres da floresta venham para as suas margens se deliciar com a abund\u00e2ncia das \u00e1guas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No tempo da seca, no entanto, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. Todos temem a aus\u00eancia de comida, da fartura, das b\u00ean\u00e7\u00e3os divinas sobre suas terras. \u00c9 tempo de se alojar bem perto do rio, na esperan\u00e7a de que ele traga boas not\u00edcias. \u00c9 tempo de esperar, e a hora do exerc\u00edcio de aceita\u00e7\u00e3o dos ciclos da natureza. Nesse per\u00edodo \u00e9 preciso ter paci\u00eancia e a certeza de que o tempo segue seu fluxo natural.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu povo, os Munduruku, vive \u00e0s margens do grande rio Tapaj\u00f3s e de seus afluentes. Embora sejamos nascidos do fundo da terra \u2013conforme narra nosso mito ancestral\u2013 fizemos do velho rio um aliado na manuten\u00e7\u00e3o de nossa exist\u00eancia, dele tirando parte de nosso alimento. Al\u00e9m disso, ele se tornou nosso velho e s\u00e1bio av\u00f4, o patriarca que nos ensina a ter paci\u00eancia e a esperar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde crian\u00e7a aprendemos isso, e levamos esse ensinamento para os lugares onde passamos, na esperan\u00e7a de fazer as pessoas olharem para nossa M\u00e3e Terra como um pouco mais de consci\u00eancia e comisera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando adultos, levamos conosco a certeza do pertencimento e da n\u00e3o-posse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acreditamos que somos um com o planeta e n\u00e3o seus donos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um com a floresta e n\u00e3o os propriet\u00e1rios<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um com o universo, seus admiradores, e n\u00e3o seus dominadores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um com as pessoas e n\u00e3o seus senhores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um com a vida e n\u00e3o seus algozes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E dessa maneira caminhamos pela terra: como observadores da sua beleza e de sua magia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seguimos o fluxo da natureza e, a partir de sua observa\u00e7\u00e3o, procuramos criar formas de ajud\u00e1-la na sua tarefa de embelezar o planeta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez este seja o problema mais grave das pessoas da cidade grande: n\u00e3o conseguem ver beleza nas coisas criadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Beleza n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil de se encontrar andando \u00e0s margens do Tiet\u00ea, rio que outrora alimentou a alegria e a fome de muita gente. Quando passo perto desse antigo av\u00f4 fico triste por tudo o que fizeram e ainda fazem com ele.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acho uma grande falta de considera\u00e7\u00e3o e de respeito com um ser t\u00e3o antigo, que continua dando o melhor de si para que a cidade funcione.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre que passo pelas margens desse av\u00f4 fico imaginando-o nos tempos antigos, quando era o centro da vida da aldeia de nossos antepassados. Imagino a movimenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as brincando e correndo atr\u00e1s umas das outras, fazendo a alegria do av\u00f4 que a tudo assistia, impass\u00edvel, mais feliz. Quantas aldeias havia em suas margens? Quantas pessoas ele alimentava? Quantas hist\u00f3rias j\u00e1 ouviu? Quantos casais de jovens namoram \u00e0s suas margens? Quantas confiss\u00f5es j\u00e1 guardaram pra si? Quantos corpos tombaram ao seu redor?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Penso no caminho em que o Tiet\u00ea se tornara, que ligava o norte ao sul, e dava dire\u00e7\u00e3o aos navegantes. E ent\u00e3o meu pensamento divaga na imagem do rio como um mensageiro que leva e traz not\u00edcias de longe, seguindo lentamente seu curso, sem pressa, mais com const\u00e2ncia.Lembro, ent\u00e3o, do meu av\u00f4, que me ensinou a chamar o rio de velho. Velho, para n\u00f3s, e quem sabe mostrar o caminho, como esse rio que segue uma ordem interna que o leva a se encontrar como o maior dos rios, o mar.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fico pensando no Tiet\u00ea como esse velho que se deixava alagar para tornarse fertil e cheio de vida. Nesse rio oferecendo vida aos parentes \u00edndios que o navegavam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 isso que penso quando, em minha canoa met\u00e1lica de quatro rodas, percorro a extens\u00e3o desse rio que rasga teimosamente a cidade, como a lembrar-lhe que \u00e9 preciso valorizar o tesouro l\u00edquido t\u00e3o vital para a vida dos homens e das mulheres de nosso mundo, e a nos dizer que nao podemos passar por esta vida sem fecundarnos nossas pr\u00f3prias margens, para que outros tamb\u00e9m tenham vida em abund\u00e2ncia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tiet\u00ea: Madre del r\u00edo, regi\u00f3n donde el r\u00edo abunda fecundando la tierra<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Las aldeas ind\u00edgenas est\u00e1n siempre muy cercanas a los r\u00edos, lagunas e igarap\u00e9s. Pero no todos los grupos utilizan sus aguas como principal abastecedor de materia prima o de alimentaci\u00f3n esencial en su cotidiano. Los pueblos son diferentes entre s\u00ed y construyen su visi\u00f3n de mundo basados en sus creencias en los or\u00edgenes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">El pueblo Karaj\u00e1, que mora en la regi\u00f3n de Tocantins, en la isla de Bananal, considera que ha salido desde lo profundo del gran r\u00edo Araguaia. Eran tiempos primordiales cuando sus ancestros salieron del universo acu\u00e1tico y pasaron al mundo de arriba, terrenal, motivados por la curiosidad y la b\u00fasqueda de caminos novedosos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No es casual que ese pueblo viva hoy en funci\u00f3n del r\u00edo y que sus casas sean construidas al lado de las nacientes de agua. Son excelentes pescadores y canoeros, y de los r\u00edos emerge su esperanza y creencia en el retorno de su creador. Tambi\u00e9n no es de extra\u00f1ar que sean tan radicalmente opuestos ante la construcci\u00f3n de hidroel\u00e9ctricas e hidrov\u00edas \u00a1en los r\u00edos que ba\u00f1an sus aldeas! \u00a1Sienten como si los ingenieros estuviesen lacerando el coraz\u00f3n de los dioses creadores!\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existen pueblos ind\u00edgenas que dividen su vida en tiempo de seca y de crecida. Es el caso de los Pirah\u00e3 del Estado de Amazonas. Cuando el tiempo es de inundaciones ellos se mueven para los lugares m\u00e1s altos y viven la alegr\u00eda de la abundancia y la fiesta. Cantos y danzas son escuchados en los sitios m\u00e1s distantes. Vibran con el esp\u00edritu de la lluvia que acerca las presas a los cazadores y el verdor de los \u00e1rboles. Las orillas de los r\u00edos quedan inundadas, haciendo que la vida renazca y muchos seres de la floresta vienen hacia sus m\u00e1rgenes para regocijarse con la abundancia de las aguas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">En tiempo de seca, sin embargo, la situaci\u00f3n es diferente. Todos temen la ausencia de comida, de la fertilidad, de las bendiciones divinas sobre sus tierras. Es tiempo de alojarse muy cerca del r\u00edo, con la esperanza de que traiga buenas noticias. Es tiempo de esperar y es hora del ejercicio de aceptaci\u00f3n de los ciclos de la naturaleza. En ese periodo es necesario tener paciencia y estar convencido de que el tiempo sigue su flujo natural.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mi pueblo, los Munduruku, vive a las m\u00e1rgenes del gran r\u00edo Tapajos y sus afluentes. A pesar de haber nacido del fondo de la tierra \u2013conforme cuenta nuestro mito ancestral\u2013 hicimos del viejo r\u00edo un aliado en el soporte de nuestra existencia, sacando de \u00e9l parte de nuestro alimento. Adem\u00e1s de eso, \u00e9l se volvi\u00f3 nuestro viejo y sabio abuelo, el patriarca que nos ense\u00f1a a tener paciencia y esperar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde la infancia aprendemos eso, y llevamos esa ense\u00f1anza a todo lugar donde vamos, con la esperanza de hacer que las personas miren a nuestra Madre Tierra con un poco m\u00e1s de conciencia y piedad.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">En la adultez, llevamos con nosotros la certeza de pertenecer y no de poseer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Afirmamos que somos uno con con el planeta y no sus due\u00f1os<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uno con la floresta y no sus propietarios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uno con el universo, sus admiradores, y no sus controladores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uno con las personas y no sus amos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uno con la vida y no sus verdugos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Es de esa manera que andamos por la tierra: como observadores de su belleza y magia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seguimos el fluir de la naturaleza, y tras observarla, buscamos formas de ayudarla en su tarea de embellecer el planeta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quiz\u00e1s este sea el problema m\u00e1s grave de las personas de la gran ciudad: no logran ver la belleza en las cosas creadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No es algo f\u00e1cil encontrarse con la belleza caminando por las m\u00e1rgenes del Tiet\u00ea, r\u00edo que en tiempos lejanos aliment\u00f3 la alegr\u00eda y hambre de mucha gente. Cuando paso cerca de ese antiguo abuelo me quedo triste por todo lo que hicieron y todav\u00eda hacen con \u00e9l.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considero que es una gran falta de estima y respeto con un ser tan ancestral, que contin\u00faa dando lo mejor de s\u00ed para que la ciudad funcione.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Siempre que paso por las m\u00e1rgenes de ese abuelo lo imagino en el pasado primordial, cuando era el centro de la vida aldeana de nuestros antepasados. Imagino el movimiento de los ni\u00f1os y ni\u00f1as jugando y corriendo una tras de otra, siendo la alegr\u00eda del abuelo que todo miraba, impasible, pero feliz. \u00bfCu\u00e1ntas aldeas hab\u00eda en sus m\u00e1rgenes? \u00bfCu\u00e1ntas personas alimentaba? \u00bfCu\u00e1ntas historias ya escuch\u00f3? \u00bfCu\u00e1ntos matrimonios de j\u00f3venes se enamoraron en sus orillas? \u00bfCu\u00e1ntas confesiones ya guard\u00f3 para s\u00ed? \u00bfCu\u00e1ntos cuerpos se tumbaron a su alrededor?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Imagino el camino en el que se vert\u00eda el Tiet\u00ea, conectando el norte y el sur, que guiaba a los navegantes. Y entonces mi pensamiento divagaba en la imagen del r\u00edo como un mensajero que lleva y trae noticias desde lejos, siguiendo lentamente su flujo, sin prisa, pero con constante. Recuerdo, entonces, a mi abuelo, quien me ense\u00f1\u00f3 a llamar viejo al r\u00edo. Viejo, para nosotros, es quien sabe ense\u00f1ar el camino, como ese r\u00edo que sigue una orden interna que lo lleva a encontrarse con el mayor de los r\u00edos: el mar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Me quedo pensando en el Tiet\u00ea como ese viejo que se dejaba inundar para volverse f\u00e9rtil y lleno de vida. Lo pienso ofreciendo vida a los parientes ind\u00edgenas que lo navegaban.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esto es lo que medito cuando, en mi canoa met\u00e1lica de cuatro ruedas, recorro la extensi\u00f3n de ese r\u00edo que divide tercamente la ciudad. El r\u00edo recuerda a la urbe que es urgente valorar el tesoro l\u00edquido tan vital para la vida de la humanidad y del mundo, nos dice que no podemos pasar por esta vida sin fecundar nuestras propias m\u00e1rgenes, para que otros tambi\u00e9n puedan tener vida en abundancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Traducci\u00f3n del portugu\u00e9s al espa\u00f1ol por Christian Elguera<\/span><\/h5>\n<h6><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Kaw\u00ea Rodrigues, Unsplash.<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>Christian Elguera<\/strong>\u00a0is a Lecturer in Spanish at The University of Oklahoma and a visiting professor at Universidad Nacional Mayor de San Marcos (Lima, Peru). He has a PhD in Iberian and Latin American Languages and Literatures from The University of Texas at Austin. His research is concerned with the production and circulation of cultural translations by and about Amerindian peoples from the 16th century to present in Abiayala, particularly in Andean and Amazonian areas. His forthcoming monograph,\u00a0<em>Traducciones territoriales: defensoras y defensores de tierras ind\u00edgenas en Per\u00fa y Brasil<\/em>, analyzes poems, chronicles, radio programs, and paintings enacted by Quechua, Munduruku, Yanomami, and Ticuna subjects in order to defy the dispossessions, extermination, and ecocides promoted by the Peruvian and Brazilian States. Alongside his political interest in the struggles of Indigenous Nations, he researches the relationship between Marxism and the Peruvian Avant-Garde Poetry of the 1920s and 1930s. In this regard, he will publish the book\u00a0<em>El marxismo g\u00f3tico de Xavier Abril: decadencia y revoluci\u00f3n transnacional en El aut\u00f3mata<\/em> (Ediciones MYL, 2021).<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota del editor: Este texto se presenta en el portugu\u00e9s original y tambi\u00e9n en traducci\u00f3n al espa\u00f1ol y al ingl\u00e9s. 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