{"id":15234,"date":"2022-06-03T19:11:53","date_gmt":"2022-06-04T01:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/?p=15234"},"modified":"2023-05-23T20:31:18","modified_gmt":"2023-05-24T02:31:18","slug":"um-capitulo-de-homem-de-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/2022\/06\/um-capitulo-de-homem-de-papel\/","title":{"rendered":"Um cap\u00edtulo de Homem de Papel"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><strong>Nota del editor:<\/strong> Este texto est\u00e1 disponible en ingl\u00e9s y portugu\u00e9s. Haz clic en \u201cENGLISH\u201d para leer en ingl\u00e9s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA morte \u00e9 uma hip\u00f3tese, redarguiu Aires, talvez uma lenda.\u201d<br \/>\n<\/span><b>Machado de Assis<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Esa\u00fa e Jac\u00f3\u00a0<\/span><\/i><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO olho do homem serve de fotografia ao invis\u00edvel, como o ouvido serve de eco ao sil\u00eancio.\u201d<br \/>\n<\/span><b>Machado de Assis<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/span><\/i><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c[&#8230;] n\u00e3o odeio nada nem ningu\u00e9m, \u2014 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">perdono a tutti<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, como na \u00f3pera.\u201d<br \/>\n<\/span><b>Machado de Assis<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Memorial de Aires<\/span><\/i><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCertamente ainda me lembram coisas e pessoas de longe, divers\u00f5es, paisagens, costumes, mas n\u00e3o morro de saudades por nada. Aqui estou, aqui vivo, aqui morrerei.\u201d<br \/>\n<\/span><b>Machado de Assis<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Memorial de Aires<\/span><\/i><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O pecado pouco original e a dor do joelho<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Flor me colocava numa estante baixa entre uma c\u00f4moda de tr\u00eas gavetas e uma escrivaninha coberta de pap\u00e9is desarrumados. N\u00e3o quero valorizar essas min\u00facias, que n\u00e3o deveriam me ocupar quando me concentro na hist\u00f3ria principal. Se \u00e9 que lhes conto uma hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se ela tem enredo, eu deveria lhes falar sobre um rapaz alto, elegante, que Flor encontrou quando decidiu fazer o concurso para diplomacia. Era primeiro-secret\u00e1rio e se chamava Zenir Ussier, de apelido Zeus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Numa troca de olhares Flor e Zeus pensaram saber tudo um do outro, defeito dos apressados. Recitavam minhas frases de cor. Assim, dos livros \u00e0 cama foram poucos passos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vamos aos passos. Zeus a convidou para uma festa. Se n\u00e3o reproduzo o di\u00e1logo \u00e9 porque nada h\u00e1 de original nos proleg\u00f4menos do sexo. Muitos anos depois, ela tentou transcrever a longa conversa para um conto nunca publicado. Preservou do original uma troca de impress\u00f5es sobre mim e sobre a carreira que abra\u00e7aria. Editou o texto, preencheu lacunas e criou uma linearidade que n\u00e3o aconteceu, pois houve momentos de hesita\u00e7\u00e3o, de sil\u00eancio e palavras se superpondo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Num s\u00e1bado nublado, Zeus trouxe ao apartamento de Flor, no bloco C da 307 Sul, as edi\u00e7\u00f5es que tinha de minhas mem\u00f3rias e as apostilas de mat\u00e9rias do concurso para o qual Flor se preparava.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sobrou nada da aspirante \u00e0 diplomacia, porque ele a devorou com os olhos. Examinava-a de alto a baixo enquanto ela examinava as apostilas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi brutalmente jogada contra a estante, que come\u00e7ou a tremer. Embora eu quisesse reagir com naturalidade, ca\u00ed fechado. Nada vi. Ouvi suspiros prolongados e gritos respondidos por outros mais altos. O prazer seria maior se rompesse a barreira da dec\u00eancia. N\u00e3o vinha sem risco, mas que risco seria esse? N\u00e3o era como ir \u00e0 guerra, sobreviver na selva ou sequer enfrentar um posto de sacrif\u00edcio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sexo foi violento e consensual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fechado estava e assim fiquei, no ch\u00e3o, calado. N\u00e3o por pudor. N\u00e3o podia falar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cJura que voc\u00ea era virgem?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o juro que a pergunta fosse feita diante do sangue no len\u00e7ol, porque n\u00e3o vi, mas n\u00e3o era express\u00e3o de d\u00favida nem de inquieta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00eas poder\u00e3o pensar que n\u00e3o caberia a mim, velho conselheiro, me imiscuir na vida privada de quem quer que fosse e menos ainda torn\u00e1-la p\u00fablica. N\u00e3o faria isso se esse encontro n\u00e3o tivesse tido consequ\u00eancias que at\u00e9 hoje, quando Flor vive num pa\u00eds distante, se comentam nos corredores da chancelaria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o devo me adiantar. Como passar disso \u00e0quilo? Da dor da perda da virgindade \u00e0 alegria de ser bem classificada num concurso dif\u00edcil?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 quest\u00e3o de fechar os olhos e mudar de assunto. J\u00e1 usei antes esse truque? N\u00e3o posso me limitar por temas nem por encadeamentos da hist\u00f3ria, se na vida as coisas n\u00e3o se sucedem de maneira linear; se \u00e9 feita de prazeres fugazes e longos sofrimentos, de planos e surpresas. Quanto mais num relato de mem\u00f3rias ou o que mais voc\u00eas queiram chamar o que lhes conto; relato no qual a mem\u00f3ria \u00e9 permeada de alheamentos provocados por p\u00e1ginas fechadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apresso-me em fazer uma digress\u00e3o. No Rio, com a idade, todos os meus ossos do\u00edam. Reumatismo, que eu sentia sobretudo num joelho. Ah, a velhice&#8230; Ainda assim, t\u00e3o logo melhor, eu caminhava da praia de Botafogo \u00e0 do Russel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pois bem, um al\u00edvio. Em Bras\u00edlia o reumatismo acabou. N\u00e3o pela cidade nem por milagre; porque passei a ter papel no lugar dos ossos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O joelho de Flor tampouco do\u00eda e, se alguma vez doeu, foi aliviado pelo namorado, C\u00e1ssio, bom de cama e cozinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO que o senhor me aconselharia, o senhor que \u00e9 conselheiro, hein, conselheiro Aires?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Flor acendeu um cigarro com isqueiro de ouro, presente de Zeus, reclinada sobre a janela que dava para a parte interna da quadra, onde crian\u00e7as brincavam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cheguei a pensar que os telefonemas e as flores de Zeus, que acabava de ser removido para um posto na Europa e me parecia o mais enamorado, fossem suficientes para a decis\u00e3o. Sem querer, eu continuava a aproxim\u00e1-los. Mas nela as ideias e o desejo raramente coincidiam. Ela recusava com indigna\u00e7\u00e3o suas investidas e acabava se rendendo a seus carinhos. Num pulo passava do gozo ao arrependimento. N\u00e3o era racional um sentimento d\u00fabio, vol\u00e1til, ela sabia. Mas aquela n\u00e3o era mat\u00e9ria a ser submetida \u00e0 raz\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO senhor vai me acompanhar pelo resto da vida\u201d, Flor me disse. \u201cConfio no senhor.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tive que aceitar. Ela fazia o que queria comigo, o que n\u00e3o era muito. Tudo se limitava a palavras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO que o senhor me aconselharia, conselheiro?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se eu pudesse falar, diria ser retr\u00f3grado mulheres sofrerem pelo marido e considerarem a dor coisa divina. Seria inj\u00faria insinuar que a carreira que ela abra\u00e7aria era a do casamento, o que ocorreria se seu namorado C\u00e1ssio n\u00e3o abandonasse a profiss\u00e3o para segui-la.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu julgamento estava defasado. Rec\u00e9m-formado em engenharia e sem trabalho, C\u00e1ssio estava disposto a n\u00e3o trabalhar. Contentava-se em ser marido. Faria o mercado e se ocuparia da casa e da comida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seria paix\u00e3o o que ela sentia por Zeus? Era outra coisa. Rela\u00e7\u00e3o intensa, de altos e baixos. Coincidiam no interesse por mim. Ela admirava seu gosto por cinema e fotografia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hesitou em aceitar sua proposta de um ensaio fotogr\u00e1fico. Fotos em preto e branco, disparadas da forma mais tradicional, com uma Leica, e reveladas no laborat\u00f3rio caseiro que ele compartilhava com um amigo. Serviram para melhorar a autoestima de Flor. Seu corpo resultou em beleza para ela inesperada. Incomodou-se com algumas fotos, que quis destruir, ela numa rede em nu frontal, ela de costas na cama\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Havia encontrado homens atraentes, sens\u00edveis, inteligentes, mas nenhum em quem vislumbrasse um companheiro para toda a vida. Existiria esse homem? Carinhoso? Compreensivo? Bonito? C\u00e1ssio n\u00e3o era tudo isso? N\u00e3o era quem lhe propunha casamento? Apareceria algu\u00e9m melhor? Que qualidades excepcionais seu homem ideal deveria ter? Chegava a pensar que para a carreira talvez fosse melhor ficar solteira. Ela n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00e3o para casamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPor que se casar, conselheiro?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leu em mim orgulho e honra. Traduziu minhas atitudes de modera\u00e7\u00e3o e sensatez em possibilidade de se casar com C\u00e1ssio. Poderia conviver com ele. O homem ideal n\u00e3o existia. A decis\u00e3o era apenas entre se casar e n\u00e3o se casar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez voc\u00eas tivessem discordado. Tivessem querido aconselh\u00e1-la a adiar o casamento, a se casar com um terceiro ou a n\u00e3o se casar. O casamento foi na Igreja Nossa Senhora de F\u00e1tima, coberta de azulejos de Athos Bulc\u00e3o e conhecida como Igrejinha. O padre, de t\u00e3o contente, aparentava ser o pr\u00f3prio noivo. O noivo, ele, vestia-se de solenidade e timidez que se confundiam com respeito e admira\u00e7\u00e3o pela noiva. Imagino, e n\u00e3o posso jurar, que contribuiu para a decis\u00e3o de Flor, que, mais do que ser compreensivo e amoroso, C\u00e1ssio era um homenzarr\u00e3o de corpo atl\u00e9tico, exibido em raro momento num terno cinza impec\u00e1vel e de listras verticais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A noiva havia tido na adolesc\u00eancia tend\u00eancia a engordar, mas quando a conheci j\u00e1 era apenas gorda de ideias. N\u00e3o trazia um vestido de noiva tradicional. De cor menta, descia ao meio das pernas e deixava nus os belos ombros. Voc\u00eas poderiam imagin\u00e1-la uma figura sonhadora, p\u00e1lida, de rosto bem desenhado, um desses personagens rom\u00e2nticos do s\u00e9culo XIX. N\u00e3o, e n\u00e3o apenas porque havia aplicado um rosado leve nas bochechas. A imperfei\u00e7\u00e3o de seus tra\u00e7os revelava a fortaleza de sua personalidade. A do\u00e7ura que transparecia na boca pequena e bem desenhada pelo batom contrastava com o nariz aquilino e a curiosidade, firmeza e brilho dos olhos grandes. Seus dentes muito brancos eram bem alinhados. E, se eu n\u00e3o a conhecesse de perto, juraria que havia feito bal\u00e9, tal a pose ereta e a leveza ao caminhar, cheia de gra\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu j\u00e1 disse a voc\u00eas que n\u00e3o falava, mas me esqueci de acrescentar que sentia odores. Nas primeiras noites ap\u00f3s o casamento, de s\u00eamen. Flor tinha 23 anos, C\u00e1ssio 22, e da\u00ed a seis meses nasceu Daniel, que n\u00e3o foi prematuro.<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Homem de Papel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, Editora Record, 2022<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Foto:<\/strong>\u00a0Jessica Favaro, Unsplash.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota del editor: Este texto est\u00e1 disponible en ingl\u00e9s y portugu\u00e9s. Haz clic en \u201cENGLISH\u201d para leer en ingl\u00e9s. &nbsp; \u201cA morte \u00e9 uma hip\u00f3tese, redarguiu Aires, talvez uma lenda.\u201d Machado de Assis, Esa\u00fa e Jac\u00f3\u00a0 \u201cO olho do homem serve de fotografia ao invis\u00edvel, como o ouvido serve de eco ao sil\u00eancio.\u201d Machado de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":14513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4053],"tags":[3950],"genre":[],"pretext":[],"section":[4055],"translator":[4059],"lal_author":[3078],"class_list":["post-15234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-traduccion-en-tulsa-es","tag-number-22-es","section-dossier-translation-en-tulsa-es","translator-rhett-mcneil-es","lal_author-joao-almino-es"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15234\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15234"},{"taxonomy":"genre","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/genre?post=15234"},{"taxonomy":"pretext","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/pretext?post=15234"},{"taxonomy":"section","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/section?post=15234"},{"taxonomy":"translator","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/translator?post=15234"},{"taxonomy":"lal_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/lal_author?post=15234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}