{"id":6273,"date":"2021-02-27T18:13:53","date_gmt":"2021-02-27T18:13:53","guid":{"rendered":"http:\/\/latinamericanliteraturetoday.wp\/book_review\/longe-aqui-poesia-incompleta-19982019-maria-esther-maciel-2\/"},"modified":"2023-06-01T13:10:13","modified_gmt":"2023-06-01T19:10:13","slug":"longe-aqui-poesia-incompleta-19982019-maria-esther-maciel-2","status":"publish","type":"book_review","link":"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/es\/rese\u00f1as\/longe-aqui-poesia-incompleta-19982019-maria-esther-maciel-2\/","title":{"rendered":"Longe, aqui: Poesia incompleta 1998-2019 de Maria Esther Maciel"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><strong>Nota do Editor:<\/strong> Este texto est\u00e1 dispon\u00edvel na vers\u00e3o original em portugu\u00eas e na tradu\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas. <a href=\"http:\/\/www.latinamericanliteraturetoday.org\/en\/2021\/february\/longe-aqui-poesia-incompleta-19982019-maria-esther-maciel\">Clique aqui para ler em ingl\u00eas.<\/a><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong><em>Longe, aqui:\u00a0Poesia incompleta 1998-2019<\/em>. Maria Esther Maciel. Belo Horizonte: Quixote + Do Editoras Associadas, Tl\u00f6n Edi\u00e7\u00f5es, 2020. 324 p\u00e1ginas.<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-6270\" style=\"margin: 10px; float: left;\" src=\"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/longe_aqui_1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"414\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/longe_aqui_1.jpg 300w, https:\/\/latinamericanliteraturetoday.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/longe_aqui_1-217x300.jpg 217w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\">No ano de 2020 em que todos tivemos nossas rotinas afetadas por uma pandemia que trouxe n\u00e3o s\u00f3 uma doen\u00e7a f\u00edsica, mas causou impacto psicol\u00f3gico em todos, em que a descren\u00e7a se alastra do campo pol\u00edtico \u00e0 humanidade de modo geral, a poesia resiste, trazendo alento. Nesse cen\u00e1rio, Maria Esther Maciel nos recorda da poesia presente no cotidiano, nas pequenas coisas, ao lan\u00e7ar o livro <em>Longe, aqui: Poesia incompleta 1998-2019)<\/em>, pelas editoras Quixote + Do e Tl\u00f6n. O volume re\u00fane poemas das obras <em>O livro das sutilezas<\/em> (2019), <em>O livro de Zen\u00f3bia<\/em> (2004), <em>Triz<\/em> (1998). A edi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apresenta novos poemas, inaugurando uma nova fase na sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. Inclusive, a partir de <em>Triz<\/em> complementado de novos poemas (1990-2001), podemos pensar em um livro que se atualiza como outro, conforme \u00e9 comentado no pr\u00f3prio livro de Maciel.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Natural de ber\u00e7o f\u00e9rtil no cen\u00e1rio cultural brasileiro, Maria Esther Maciel (1963) vive em Belo Horizonte. Poeta, cronista, ensa\u00edsta, ficcionista, a mineira possui publica\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, bem como recebeu diversos pr\u00eamios, como finalista do Pr\u00eamio Jabuti em Teoria\/Cr\u00edtica Liter\u00e1ria com o livro <em>A mem\u00f3ria das coisas<\/em>, em 2005, e finalista na categoria romance, em 2009. Ademais, Maria Esther Maciel atua como professora titular de Teoria da Literatura comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e como professora colaboradora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Teoria e Hist\u00f3ria Liter\u00e1ria da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A escritora possui doutorado em Literatura Comparada pela UFMG, com P\u00f3s-Doutorado pela Universidade de Londres na \u00e1rea de Cinema e em Literatura Comparada pela Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A primeira parte do livro <em>Longe, aqui<\/em> contempla <em>O livro das sutilezas<\/em> no qual o jardim invade as p\u00e1ginas com a delicadeza da compara\u00e7\u00e3o de uma \u201cAlcachofra\u201d com um livro no qual as p\u00e9talas se chamam cap\u00edtulos e se despetalam como p\u00e1ginas. \u201cE ao fim do \u00faltimo cap\u00edtulo eis que de repente surge a inesperada del\u00edcia: um bot\u00e3o tenro e carnudo \u2014o cora\u00e7\u00e3o da flor que vira fruta viva\u201d (p. 27).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O apartado \u201cIII Hildegarten\u201d oferece ao leitor uma recria\u00e7\u00e3o de verbetes do livro <em>Physica<\/em> de Hildegard von Bingen, com ilustra\u00e7\u00f5es de Julia Panad\u00e9s. Encontramos arruda, Malva, Canela, C\u00e2nhamo, Urtiga, Arnica, Lavanda, Mirra, Trevo, Cominho. Mas o que vemos n\u00e3o \u00e9 um dicion\u00e1rio etimol\u00f3gico, a organiza\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o dos elementos funciona como um modo de quebrar as regras desses textos para apresentar um universo po\u00e9tico que vai al\u00e9m, com uma pitada de ironia, quem sabe. Tudo com a sutileza de quem se mune com eleg\u00e2ncia do cotidiano para trazer beleza aos dias. Como se \u201cToda vez que o bem-te-vi aparece ela escreve um verso que aos poucos cresce at\u00e9 virar (ao que parece) um poema\u201d (p. 29).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O pr\u00f3ximo livro continua no bot\u00e2nico po\u00e9tico, inclusive com ilustra\u00e7\u00f5es de Elvira Vigna. <em>O livro de Zen\u00f3bia<\/em> mistura poesia e prosa, e nessa escrita ficcional supera-se os limites da linguagem de cada g\u00eanero. Zen\u00f3bia nasceu na Fazenda Palmyra (1922), morou em Belo Horizonte, onde se tornou bi\u00f3loga, com especializa\u00e7\u00e3o em Bot\u00e2nica. Quando volta para sua cidade natal, passa a se dedicar ao cultivo de ervas medicinais \u2014informa\u00e7\u00f5es presentes nas notas biogr\u00e1ficas, ao fim da obra. A partir dessa personagem somos levados a acompanhar as tramas de uma vida corriqueira, da sua inf\u00e2ncia, passando pelos amores, \u00e0 idade madura com seus 82 anos e \u00f3culos. Por\u00e9m esse romance po\u00e9tico, ou melhor, essa po\u00e9tica narrativa, leva o leitor a redescobrir o maravilhoso no cotidiano. Como aquele abra\u00e7o que nos faz sentir infinitos (p. 129). Ou aquela imagem potente, \u201cSonhou com um p\u00e1ssaro sem asa\u201d (p. 107). Assim, como qualquer hist\u00f3ria pessoal, passa por perdas que orbitam a mem\u00f3ria. O tr\u00e1gico e o po\u00e9tico, a realidade e o sonho definem a vida de Zen\u00f3bia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cAs receitas de Zen\u00f3bia\u201d retratam a alquimia po\u00e9tica da cozinha com suas receitas e recomenda\u00e7\u00f5es, \u201cAntes de come\u00e7ar a comer, n\u00e3o diga nenhuma palavra\u201d (p. 153). Essas receitas tampouco s\u00e3o apenas para alimentar o corpo, l\u00f3gico que n\u00e3o, afinal \u201cDizem que nenhum destino \u00e9 t\u00e3o insuport\u00e1vel que uma alma razo\u00e1vel n\u00e3o encontre pelo menos uma coisa para consolo. \u00c0s vezes um bolo de am\u00eandoas ou uma salada de end\u00edvias e s\u00e1lvia nos salva dos piores desgostos. Ou at\u00e9 mesmo um prato bem simples, como o de berinjelas ao forno\u201d (p. 155).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E se <em>O livro de Zen\u00f3bia<\/em> \u00e9 de dif\u00edcil classifica\u00e7\u00e3o, nele s\u00e3o apresentados os cadernos de Zen\u00f3bia, intitulado \u201cAs horas felizes\u201d, com lista de coisas, como lista de ervas daninhas, de peixes perplexos, de cidade raras, temperos e ervas de cheiro, aves em perigo, orqu\u00eddeas e brom\u00e9lias, palavras preferidas. Essas listas brincam de forma quase l\u00fadica com as formas de classifica\u00e7\u00e3o que conhecemos e originalmente estavam nos anexos da obra na sua primeira edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O livro <em>Triz<\/em> foi escrito sob a intensidade da perda do pai da poeta, ganhando o peso de uma homenagem a ele. Sem cair em sentimentalismos f\u00e1ceis, a obra apresenta o sofrimento da perda de algu\u00e9m importante. O vazio da perda n\u00e3o \u00e9 preenchido, mas caminha melancolicamente junto na trama dos versos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Sua obra reunida dialoga com v\u00e1rios autores \u2014Lygia, T. S. Eliot, \u00c9luard, Mallarm\u00e9, Octavio Paz, entre outros\u2014 revelando a erudi\u00e7\u00e3o da autora e convidando o leitor a um jogo liter\u00e1rio aberto. Somando \u00e0s diferentes vozes da literatura universal, <em>Longe, aqui<\/em> revela diferente \u201ceus\u201d em uma escrita m\u00faltipla. A complexidade dos \u201ceus l\u00edricos\u201d compartilham sua for\u00e7a para iluminar estes dias sombrios. Igualmente, a poeta mostra n\u00e3o se prender a regras estagnantes e apresenta uma esfera po\u00e9tica h\u00edbrida. O mundo est\u00e1 cheio de possibilidade, assim como de possibilidades po\u00e9ticas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E por isso tudo, e por tudo mais que n\u00e3o conseguimos contemplar aqui, \u00e9 que o livro possui uma beleza sutil. Entre temperos, plantas, listas de palavras de preferidas, os poemas nos convidam a apreciar essa dimens\u00e3o total da vida a partir das pequenas coisas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: right;\">Elys Regina Zils<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p dir=\"ltr\">No ano de 2020 em que todos tivemos nossas rotinas afetadas por uma pandemia que trouxe n\u00e3o s\u00f3 uma doen\u00e7a f\u00edsica, mas causou impacto psicol\u00f3gico em todos, em que a descren\u00e7a se alastra do campo pol\u00edtico \u00e0 humanidade de modo geral, a poesia resiste, trazendo alento. Nesse cen\u00e1rio, Maria Esther Maciel nos recorda da poesia presente no cotidiano, nas pequenas coisas, ao lan\u00e7ar o livro <em>Longe, aqui&nbsp;(poesia incompleta 1998-2019)<\/em>, pelas editoras Quixote + Do e Tl\u00f6n. O volume re\u00fane poemas das obras <em>O livro das sutilezas<\/em> (2019), <em>O livro de Zen\u00f3bia<\/em> (2004), <em>Triz<\/em> (1998). 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